Detesto insónias. Como quase toda a gente, não as suporto e são um teste à minha paciência. A minha cabeça deixa de obedecer-me: quando lhe digo que quero dormir, ela assusta-se, o cérebro dá um salto e põe imediatamente um exército de neurónios a saltar à corda e a fazerem abdominais. Nem o tédio de os ver a fazer algo repetitivo me concede o sono. O resultado desse exercício mental involuntário diverge entre detritos sem qualquer valor a ideias enigmáticas que me piscam o olho atrás de uma porta mal fechada e fogem se as tento agarrar.
Eventualmente os neurónios também se cansam e dão-me uma folga que aproveito logo para ferrar no sono, não vá eles se lembrarem de treinarem os mortais à retaguarda.

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