SameiroFoi com os olhos ensopados em suor com sabor a sal e champô, um pulso a rosnar a um piso de paralelo e uma bicicleta com teias de aranha e sons suspeitos, que voltei a descobrir porque gosto e sinto tanta falta de exercício físico.
É incrível o vício de raciocínio que ganhei à custa de anos de desporto: automaticamente o pensamento afasta-se do imediato para ignorar a dor física obrigando a pensar em tudo o resto. O melhor disto (sim, isto é bom, pelo menos para mim), é a perspectiva e a organização de ideias que o exercício físico (me) dá. Por mais que tente dominar o fio de raciocínio, não consigo. Na verdade não quero. A clareza destes momentos só não me esclarece porque por vezes fico tanto tempo sem fazer exercício físico.
Os momentos seguintes (após um banho necessário e merecido) são um misto de exaustão total e euforia desmedida de querer conquistar o mundo de uma tirada. A combinação é estranha mas perfeita porque juntos devolvem-me àquele que sou de facto. O desporto continua a lembrar-me de que fibras sou feito e de que fibras me fiz.

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