Tomava sozinho um café quando chegou e sentou-se na minha mesa. Sem dizer nada, não tinha pressa. O meu olhar escondeu-se num vértice qualquer, fingindo que não tinha chegado. Eu não queria falar com ela.
Pousas-te as tuas coisas à minha frente e olhaste-me por um minuto. O olhar era reprovador como sempre e morreu com um suspiro. Trazias a garganta minada de palavras e foi-te penoso dizer a primeira: pouco disseste que eu já não tivesse adivinhado. No fim, arrumas-te algumas perguntas a que sabias que eu não iria responder e procuras-te os cigarros. Enquanto fumegavas um silêncio pesado, penteei algumas ideias com pouca convicção. Levantei-me impávido e fui-me embora, sem me despedir. Porque as dúvidas são assim. Aparecem sem se anunciarem e não vale a pena dizermos adeus porque elas vão connosco enquanto não as convencermos de que somos melhores do que elas.

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