A vida lá fora não parou a julgar pelo barulho que ouço, mas aqui com os pés ainda na banheira e embrulhado na toalha, fecho os olhos e tento acreditar que sim. Daqui, a vida parece um cubo mágico impossível. Decisões consecutivas e decisivas na esperança de solucionar um problema, acumulam outros. Ao fim de algumas jogadas, já não sabemos de onde vimos nem para onde vamos.
O mais sarcástico deste jogo é que não podemos pedir ajuda do público ou do 50:50 para nos ajudar nas decisões mais difíceis. No entanto, quando as tomámos, não é só o nosso cubo que sofre consequências mas também o das outras pessoas. E essas alterações são ainda mais difíceis de reverter.
A maioria das pessoas não têm sequer hipótese de escolher a dimensão do cubo. Eu sei que donde vim exigiam muito pouco. E quis mais. Agora a vida exige de mim competências que não tenho e não posso voltar atrás.

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