Todos os dias, no jogging matinal que faço num parque perto de casa, encontro sempre ali uma personagem que consegue cativar a minha curiosidade. Uma mulher vestida com um casaco branco comprido, cachecol na cara e óculos escuros, têm-me dado, por vezes, com que me ocupar durante o treino — na verdade, às sete e meia da manhã não é preciso muito para me preencher as poucas funções cerebrais que tenho a funcionar a essa hora.
Talvez por uma porta para o mundo dos sonhos ainda se encontrar mal fechada, a imaginação deixa-se levar facilmente e enquanto corro, começo a atirar ideias ao ar sobre o que levará aquela mulher misteriosa ali todos os dias. Alguém famoso que não quer ser reconhecido? Uma criminosa que se esconde da sociedade de um crime inconfessável? Alguém que não quer ser reconhecido por amigos, vizinhos ou conhecidos naquele lugar àquela hora? Ou simplesmente alguém com distúrbio de ansiedade social a tentar combater os seus pânicos, enfrentando-os?
Suposições, umas mais lógicas que outras; o mais certo é que nenhuma delas seja verdadeira e ela apenas goste de fazer uma caminhada matinal, protegida do frio que faz a essa hora. Certa, é apenas a convicção de que nunca virei a saber a verdade sobre a mulher de branco do jogging matinal.

Comments are closed.