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Monday, September 29th

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Ben Harper – Power of the Gospel
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vla

vlaHá dias em que as saudades do meu período em Utrecht são mais fortes e nesses momentos, há algo que invariavelmente acaba por me vir à memória… o vla. Para quem já viveu na Holanda por algum tempo sabe do que estou a falar. Para todos os outros, segue-se a descrição possível. :P
Imaginem leite creme com a consistência entre o iogurte liquido e a mousse de chocolate, e com sabores como baunilha ou caramelo. Imaginem ainda que isso é bom. Muito bom. E que vem em pacotes de 1 litro a preços de iogurte. Parem de imaginar, com a imaginação não lhe chegam nem perto. Chama-se vla e para mim é um mistério porque só se vende na Holanda.
Come-se tal como vem, directo do pacote para um copo ou tigela com a ajuda de uma colher. É difícil de resistir, com a variedade de sabores que há. Senão vejamos: baunilha, chocolate, caramelo, stracciatella e tiramisu são os que me lembro de ter provado (repetidamente). Depois há variações como vla com combinações de dois sabores (à lá gel dentífrico), vla com natas, vla de inverno, vla com biscoitos, enfim. Só por si, o vla é um bom motivo para regressar à Holanda.

PS: Espero ter-me redimido deste post, :D


posted by paulo @ Jul 27th, 2004 - 04:08am
Leave a brain wave

quem?

Ao longo dos anos, fui-me habituando à escala simplificada dos meus pais para os meus resultados académicos: qualquer que fosse a nota que eu tivesse, era reduzida a uma escala de apenas dois valores: passar ou chumbar. Eventualmente fui arranjando outras motivações para estudar ou estudar mais. Para o que eu não estava preparado era para uma mutação da escala para um: “Graças a deus!“. É que agora nem o mérito tenho.


posted by paulo @ Jul 26th, 2004 - 02:25am
Leave a brain wave

*hic*

Há dias, enquanto (tentava) estudar sistemas de elevada disponibilidade com um colega que se debruçava sobre métodos de programação, este olhou para mim com cara bastante séria e disse: a vida é como o escadório do Bom Jesus. Bem, o estudo parou aí.

Partilho da opinião do Sr. Knuth que descreve o tipo de raciocínio das ciências da computação como a capacidade de ver algo simultaneamente em diferentes níveis de abstracção e conseguir alternar entre eles rapidamente. Mas no meio de SPOF's, IPVS's, RAID's e outras siglas, o raciocínio engasga-se quando lhe surge uma analogia como a do meu colega.
Explicou-me então que para ele ele os diversos patamares das escadas são as fases da nossa vida e, como escolheu qual pretende alcançar, a sua teoria não se acanha com o facto da escadaria ser balizada com sopé e topo: não pretende mais do que aquilo que decidiu.
Pouco depois regressámos ao estudo. Ele, com um ar sonolento, aos problemas NP-completos. Eu, ao GFS, mas com mais algo em que pensar.


posted by paulo @ Jul 23rd, 2004 - 22:35pm
Leave a brain wave

clássicos

- Minha mulher há-de querer vê-lo, disse-lhe então o conde. E dirigindo-se a um reposteiro que levantou: - Entre. É o Sr. padre Amaro, Joana!
Era uma sala forrada de papel branco acetinado, com móveis estofados de casimira clara. Nos vãos das janelas, entre as cortinas de pregas largas duma fazenda adamascada cor de leite, apanhadas quase junto do chão por faixas de seda, arbustos delgados, sem flor, erguiam em vasos brancos a sua folhagem fina. Uma meia-luz fresca dava a todas aquelas alvuras um tom delicado de nuvem. Nas costas duma cadeira uma arara empoleirada, firme num só pé negro, coçava vagarosamente, com contrações aduncas, a sua cabeça verde. Amaro, embaraçado, curvou-se logo para um canto do sofá, onde viu os cabelinhos louros e frisados da senhora condessa que lhe enchiam vaporosamente a testa, e os aros de ouro da sua luneta reluzindo. Um rapaz gordo, de face rechonchuda, sentado diante dela numa cadeira baixa, com os cotovelos sobre os joelhos abertos, ocupava-se em balançar, como um pêndulo, um pince-nez de tartaruga. A condessa tinha no regaço uma cadelinha, e com a sua mão seca e fina cheia de veias, acamava-lhe o pêlo branco como algodão.”

em O crime do padre Amaro

O único livro (que me lembre) de não ter acabado foi Os Maias e infelizmente vai ser novamente com o Eça que o vou fazer. Digo infelizmente porque gosto do autor e das obras. Da primeira vez tive que o ler por obrigação académica e com limite de tempo, não funcionou. Desta, simplesmente porque estou cansado de ler autores clássicos. Decidi fazer uma pausa e experimentar uns quantos contemporâneos para desenjoar. Conhecidos e “desconhecidos”. Principalmente “desconhecidos”. Aceito sugestões.


posted by paulo @ Jul 23rd, 2004 - 02:28am
Leave a brain wave

insónias

Detesto insónias. Como quase toda a gente, não as suporto e são um teste à minha paciência. A minha cabeça deixa de obedecer-me: quando lhe digo que quero dormir, ela assusta-se, o cérebro dá um salto e põe imediatamente um exército de neurónios a saltar à corda e a fazerem abdominais. Nem o tédio de os ver a fazer algo repetitivo me concede o sono. O resultado desse exercício mental involuntário diverge entre detritos sem qualquer valor a ideias enigmáticas que me piscam o olho atrás de uma porta mal fechada e fogem se as tento agarrar.
Eventualmente os neurónios também se cansam e dão-me uma folga que aproveito logo para ferrar no sono, não vá eles se lembrarem de treinarem os mortais à retaguarda.


posted by paulo @ Jul 21st, 2004 - 17:33pm
Leave a brain wave

isto nunca mais acaba?

Uma época de exames que se arrasta por várias semanas tem em mim um efeito meloso que me confina ao raciocínio mecanizado e me reduz a algo semelhante a um autómato finito minimizado. Os estados têm todos vários níveis de redundância e as transições são monitorizadas por um qualquer mecanismo de controlo on-off que me deixa amorfo até à exaustão de recursos. Só a crescente proximidade do estado final que me vai remeter ao super-estado anterior me dá algum consolo.
Se alguém achar que não fui claro, diga.


posted by paulo @ Jul 20th, 2004 - 18:27pm
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volta arroz de cabidela, estás perdoado

Saco de sangueViver diariamente em contacto directo com pessoas de outras culturas pode ser uma constante descoberta de diferenças, umas mais agradáveis do que outras. Na gastronomia, as diferenças podem ser uma surpresa: tentar explicar a um estrangeiro o que são moelas ou como se faz o arroz de cabidela pode ser desde engraçado a repelente. Para um Português, descobrir o sabor de ovos em conserva (btw, ficam pretos…) ou a ideia de comer arenque cru (e/ou em pickle) também é um desafio senão mesmo uma aventura. Comigo foi!
No entanto, enquanto português e mesmo sendo adepto do arroz de cabidela, tenho dificuldade em aceitar que uma solução plausível para o sangue desperdiçado por um matadouro seja… bens alimentares. Serei o único que torce o nariz perante a ideia de beber leite e café feitos de sangue?!

Vai um chocolatezito de sangue com amendoim…?


posted by paulo @ Jul 20th, 2004 - 15:10pm
Leave a brain wave

Pedro Almodóvar

Ainda não tinha visto o Todo sobre mi madre do Almodóvar. Lembra-me o trabalho da cantora americana Ursula Rucker: a dureza da nossa realidade embrulhada em algo tão belo como a voz ou a beleza femininas.


posted by paulo @ Jul 15th, 2004 - 21:38pm
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bandas sonoras

Rodrigo Leão - CinemaChamar de compositor a Rodrigo Leão talvez seja pouco. Realizador? Argumentista? Não é fácil classificar o trabalho dele no seu último álbum Cinema. Há bandas sonoras que em segundos nos fazem lembrar de uma determinada cena, momento ou lugar do filme a que estão associadas. Conseguir isto sem qualquer filme é ainda mais impressionante. Mas é isso que este álbum consegue. Cada música oferece um enredo diferente que eu inconscientemente completo a gosto: nascem-me fotogramas na cabeça e daí ao sonho são só algumas notas.
A marcante voz de Beth Gibbons dos Portishead, foi inicialmente pensada para outro tema, mas acabou por dar não só a voz mas também uma excelente letra a Lonely Carousel que era um instrumental chamado A estrada. A participação do piano de Ryuichi Sakamoto também é notável nos temas Rosa e António, nomes dos filhos do Rodrigo. Neste último ouvem-se mesmo as primeiras palavras do filhote :-). Conta também com a voz da Sónia Tavares dos The Gift, Rosa Passos e da Luso-Belga Helena Noguerra.
Rodrigo Leão conquistou-me com o seu Cinema e a julgar pelas vendas, não fui o único.


posted by paulo @ Jul 13th, 2004 - 03:54am
Leave a brain wave