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synapse

Monday, September 29th

gps
office - on my last week around here

working on
cooling down after a extra spicy pasta a la arrabiata

fuel
caffeine

Ben Harper – By My Side
Ben Harper – Power of the Gospel
Belle and Sebastian – Women's Realm
Caetano Veloso – Leaozinho
Beck – Que Onda Guero

latest finding
need to focus more

dreaming about
postcard 1,500,000

pet projects
shanghai 'work at jelly' meetups
zend certification done!
postcrossing


watching
not much. and now our tv is reduced from 50 to less than 10 channels. need to get my hands on in bruges

reading
getting real by 37signals
designing for the social web by joshua porter


woman in white

Todos os dias, no jogging matinal que faço num parque perto de casa, encontro sempre ali uma personagem que consegue cativar a minha curiosidade. Uma mulher vestida com um casaco branco comprido, cachecol na cara e óculos escuros, têm-me dado, por vezes, com que me ocupar durante o treino — na verdade, às sete e meia da manhã não é preciso muito para me preencher as poucas funções cerebrais que tenho a funcionar a essa hora.
Talvez por uma porta para o mundo dos sonhos ainda se encontrar mal fechada, a imaginação deixa-se levar facilmente e enquanto corro, começo a atirar ideias ao ar sobre o que levará aquela mulher misteriosa ali todos os dias. Alguém famoso que não quer ser reconhecido? Uma criminosa que se esconde da sociedade de um crime inconfessável? Alguém que não quer ser reconhecido por amigos, vizinhos ou conhecidos naquele lugar àquela hora? Ou simplesmente alguém com distúrbio de ansiedade social a tentar combater os seus pânicos, enfrentando-os?
Suposições, umas mais lógicas que outras; o mais certo é que nenhuma delas seja verdadeira e ela apenas goste de fazer uma caminhada matinal, protegida do frio que faz a essa hora. Certa, é apenas a convicção de que nunca virei a saber a verdade sobre a mulher de branco do jogging matinal.


posted by paulo @ Mar 31st, 2004 - 02:37am
Leave a brain wave

nova página

Remodelei a minha página. Aproveito para dizer que ando à procura de ideias e sugestões para a galeria de fotos. Os únicos que já usei foram o liveframe (cgi) e o mkgallery mas queria conhecer mais. Recomendam algum sistema de galerias para publicar fotos online?


posted by paulo @ Mar 31st, 2004 - 01:03am
Leave a brain wave

manifestação de estudantes

Confesso que nunca participei numa manifestação de estudantes. Confesso também que sempre disse que devíamos reclamar os nossos direitos, mas nunca o fiz através das manifestações. Confesso ainda que nunca li a declaração de Bolonha.
Amanhã vou mudar isso: irei estar na manifestação de estudantes em Lisboa. Porquê? Porque acho que devo.
Embora seja de opinião de que é muito discutível a nova lei de financiamento do ensino superior, penso que é ainda um pouco cedo para fazer uma leitura correcta dos seus reais benefícios (ou falta deles). Mas esta não é a única reivindicação de amanhã (embora seja essa que os meios de comunicação mais anunciam). O que me levará amanhã a fazer uma viagem de Braga a Lisboa vai ser (principalmente) a falta de formação pedagógica dos professores do ensino superior. Não basta o conhecimento cientifico para ensinar: é tão ou mais importante saber ensinar. Depois de 3 anos de ensino superior (na UMinho) e meio ano numa Universidade Holandesa acredito ter fundamento suficiente para basear a minha opinião.
O actual sistema de avaliação dos docentes não só não funciona como não é suficiente: é necessário que os próprios professores tenham formação contínua de forma a se manterem actualizados e que hajam formas de os avaliar.

Dei-me ao trabalho de ler alguns documentos que acho importantes dos quais seleccionei os seguintes excertos.

“3. Each university must – with due allowance for particular circumstances – ensure that its students’ freedoms are safeguarded and that they enjoy conditions in which they can acquire the culture and training which it is their purpose to possess.”
em Magna Charta, Bologna, 1988

“We owe our students, and our society at large, a higher education system in which they are given the best opportunities to seek and find their own area of excellence.”
em Sorbonne Joint Declaration, na qual se baseou a Declaração de Bolonha.

“We must in particular look at the objective of increasing the international competitiveness of the European system of higher education. The vitality and efficiency of any civilisation can be measured by the appeal that its culture has for other countries. We need to ensure that the European higher education system acquires a world-wide degree of attraction equal to our extraordinary cultural and scientific traditions.”
em The Bologna Declaration of 19 June 1999, aka ‘The European Higher Education Area’.

Recomendo a todos os actuais ou futuros estudantes do ensino superior que leiam estes documentos na íntegra.

PS: qualquer semelhança entre a minha opinião com um discurso político é pura coincidência.


posted by paulo @ Mar 24th, 2004 - 01:24am
Leave a brain wave

as saudades matam

A cada dia que passa, custa mais viver sem vocês. Pedaços de mim ficaram convosco.
Se pelo menos eu pudesse estar em vários lugares ao mesmo tempo…

Why is life so complicated? I miss you all so much guys… It was the best half-year of my life.
Thank you. I'll never forget any of you.


posted by paulo @ Mar 23rd, 2004 - 02:12am
Leave a brain wave

a bebida mágica

A quem, como eu, gosta de chá, fica um conselho: casa de chá “Rota do chá” na rua Miguel Bombarda no Porto.
Tive oportunidade de a conhecer hoje e, para além do sabor doce que durou horas após de lá ter saído, ficou a vontade de lá voltar em breve. Pelo ambiente, pela decoração mas principalmente, claro, pelos óptimos chás que lá existem. Pena é que não seja mais perto.


posted by paulo @ Mar 21st, 2004 - 23:10pm
Leave a brain wave

dia mundial da poesia

Nem a propósito, no livro que ando a ler - “A bagagem do Viajante” do Saramago - vem uma passagem que resolvi transcrever aqui, que vem a propósito do dia de hoje: dia mundial da poesia.

[...] um homem mal enroupado que eu conheci, tonto de seu juízo, o qual homem levava o triste dia a andar para baixo e para cima na rua principal lá da aldeia. Chamavam-lhe evidentemente o Tonho Maluco, uma espécie de bobo fácil dos adultos e de besta sofredora das crianças. Estas coisas são assim e no fundo não é por mal, se o Tonho morresse toda a gente tinha um grande desgosto, pois claro. [...] Além dos seus outros nomes, apelidos e alcunhas, o Tonho era o Fala-Só.
[...] Depois de eu ter crescido, soube que também aos poetas davam o nome de fala-só, porque se achava que a poesia era uma forma de loucura nem sempre mansa, e porque alguns abusavam do privilégio de falar alto à lua ou de se lançarem em solilóquios mesmo quando em companhia. Bem sei que tudo isto vinha de uma noção incuravelmente romântica do que seja poeta e poesia. Mas as pessoas, vendo bem, gostam dos loucos, e, quando os não têm, inventam-nos. [...]
Num mundo assim organizado todos tinham o seu lugar: loucos, poetas e sãos de espírito, e todos estavam cientes dos seus direitos e obrigações. Ninguém se misturava. Mas decerto que não era assim, porque havia sãos de espírito que passavam a loucos e a poetas, e começavam a falar sozinhos, perdidos para a sociedade da gente normal. Um delgado fio é a fronteira, e parte-se e gasta-se, e é logo outro mundo.[...]
De modo que fala-sós somos todos: os loucos, que começaram, os poetas, por gosto e imitação, e os outros, todos os outros, por causa desta comum solidão que nenhuma palavra é capaz de remediar e que tantas vezes agrava.


posted by paulo @ Mar 21st, 2004 - 11:40am
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ilford hp5 400

Hoje decidi matar os domingos de ócio a que estou (mal) habituado e começar a fazer algo de proveitoso. eu e o bruno em Viana do CasteloAgarrei na camâra fotográfica, meti-me num comboio com destino a uma cidade que ainda não conhecia e fui fazer o meu primeiro rolo a preto e branco que tenho andado a adiar.
O Bruno também foi e passamos o dia como putos entusiasmados com um brinquedo novos a tirar fotografias, demoradamente. Sim, porque a cidade não ia a lado nenhum e queríamos saborear ao máximo os click's.
A cidade é muito bonita e recomenda-se. De cara lavada pelo programa Polis, tem muito a oferecer a quem prefere cidades de ruas de pedra, estreitas e apertadas em vez do alcatrão e os caixotes de betão e sílica. Onde é fácil encontrar uma janela maquilhada com roupa a secar e cafés onde todos se reúnem à volta de um relato da bola.
A polémica em torno do mamarracho de betão (que ainda lá está) parece ainda não ter fim à vista. O edifício endossa agora uma faixa preta onde se pode ler Primeiro as pessoas.
Quanto às fotos, vou revelá-las esta semana e, se o tempo deixar, digitalizo algumas para a galeria da nova página pessoal em que tenho trabalhado.
Próximos destinos? Talvez Caminha mas estou aberto a sugestões! :)


posted by paulo @ Mar 15th, 2004 - 04:38am
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ele deve saber

Emoção + Razão = Inteligência, segundo o meu professor de sistemas inteligentes.


posted by paulo @ Mar 11th, 2004 - 03:25am
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atletismo

Foi com nostalgia que assistí às victórias portuguesas nos campeonatos do mundo de atletismo em pista coberta. Saudades de um tempo em que correr, saltar e atirar transformavam-me temporáriamente do miúdo inseguro e discreto, num outro com um brilho nos olhos e um sorriso gigante que estalava cada vez que me superava. Nunca tive o apoio dos meus pais em relação ao atletismo durante os 8 anos que o pratiquei a sério. Hoje penso que era precisamente por isso mesmo que me dedicava tanto.
No que toca a desportos que me dispertam o interesse, sempre tive escolhas algo dispares dos meus colegas. Enquanto a grande maioria transpira futebol e outros o automobilismo, sempre tive preferência por desportos como o atletismo e a ginástica. Hoje acho que sei o porquê. A tecnologia ou o simples factor sorte retiram-me o entusiasmo pelos desportos onde isso é preponderante. Gosto muito mais de desportos onde o atleta mostra aquilo que vale e os frutos do trabalho que realizou para se melhorar. As provas de atletismo são o exemplo ideal: é apenas o atleta, a pista e aquilo que ele vale. A factor sorte pouco entra ao assunto; muito menos o tecnológico. Se a pista é um lamaçal e o vento está acima dos 2m/s, isto é igual para todos.

Enquanto escrevia este post, experimentei procurar pelo google por páginas que pudessem ter alguma referência a esse tempo. E acabei por dar com duas. Uma mais recente das (poucas) vezes que ainda faço provas pela Universidade e outra, mais antiga, que me deu um sorriso gratuíto que não esperava.


posted by paulo @ Mar 8th, 2004 - 08:32am
Leave a brain wave

porque há coisas que só ele sabia dizer

“Passo por uma rua e estou vendo na face dos transeuntes, não a expressão que eles realmente têm, mas a expressão que teriam para comigo se soubessem da minha vida, e como eu sou, se eu trouxesse transparente nos meus gestos e no meu rosto a ridícula e tímida anormalidade da minha alma. Em olhos que não me olham, suspeito troças que acho naturais, dirigidas contra a excepção deselegante que sou entre um mundo de gente que age e goza; [...] E às vezes, em pleno meio da rua - inobservado, afinal - paro, hesito, procuro como que uma súbita nova dimensão, uma porta para o interior do espaço, para o outro lado do espaço, onde sem demora fuja da minha consciência dos outros, da minha intuição demasiado objectivada da realidade das vidas alheias”

Bernardo Soares
in Livro do desassossego


posted by paulo @ Mar 7th, 2004 - 02:32am
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